C7: gosto de fim de tarde bem vivido

Por Tati Feldens · 03 de junho de 2026

C7: gosto de fim de tarde bem vivido

O evento que transformou o vinho na desculpa perfeita para ficar

Quando começamos a desenhar o C7 (Wine Seven Club), existia uma pergunta que guiava quase todas as decisões: como criar um evento de vinho que as pessoas realmente quisessem frequentar em um domingo à tarde?

Não queríamos um festival de degustação tradicional. Tampouco um evento excessivamente técnico. A ideia era construir um encontro capaz de reunir produtores, gastronomia, música e público em um ambiente leve, onde o vinho fosse protagonista, mas não a única atração.

Naquele domingo de março, durante a primeira edição do Wine Seven Club, tive a oportunidade de ver essa proposta ganhar forma.

Desde a chegada dos produtores, ainda durante a montagem, já era possível perceber um clima diferente. Os oito participantes ocuparam seus espaços com naturalidade. Com sorriso largo no rosto, traziam não apenas garrafas, mas histórias, projetos e formas distintas de enxergar o vinho.

Ao longo da tarde, acompanhei dezenas de conversas surgindo espontaneamente entre produtores e visitantes, algo que sempre buscamos estimular.

![produtor-c7.png](https://storage.googleapis.com/winex-journal-uploads/produtor_c7_b792e7ffe9/produtor_c7_b792e7ffe9.png)

Uma das premissas do evento era justamente aproximar quem produz de quem consome. Sem barreiras, sem formalidades excessivas e sem a sensação de que era preciso seguir um roteiro. Cada pessoa construía sua própria experiência, escolhendo os vinhos que desejava conhecer e permanecendo o tempo que quisesse em cada conversa.

Também observamos algo que considero cada vez mais importante para os eventos de vinho: a diversidade de público. Havia apreciadores experientes, pessoas começando a explorar o universo da bebida, grupos de amigos, casais e famílias. O vinho deixou de ser um assunto restrito e passou a funcionar como elemento de conexão entre diferentes perfis.

![amigos_c7.JPG](https://storage.googleapis.com/winex-journal-uploads/amigos_c7_7cc180f514/amigos_c7_7cc180f514.jpg)

A gastronomia e a música tiveram papel fundamental nessa construção. Mais do que complementos, ajudaram a criar o ritmo da tarde. A apresentação de Moreno Morais trouxe exatamente a atmosfera que imaginávamos desde o início: festiva, descontraída e compatível com a proposta de prolongar o domingo sem pressa.

![moreno-morais-c7.png](https://storage.googleapis.com/winex-journal-uploads/moreno_morais_c7_62220654cf/moreno_morais_c7_62220654cf.png)

Como uma das organizadoras, ao lado dos amigos Sofia e Fábio, passei boa parte do tempo circulando entre produtores, expositores e visitantes. E talvez o momento mais gratificante tenha sido perceber que ninguém parecia preocupado em cumprir uma agenda. As pessoas permaneciam porque queriam permanecer. Compravam mais uma taça, sentavam mais alguns minutos, encontravam conhecidos, conheciam gente nova.

No fim das contas, acredito que o maior aprendizado desta primeira edição foi confirmar que existe espaço para experiências que valorizem menos a quantidade e mais a permanência. Menos a pressa de consumir tudo e mais o prazer de viver o momento.

Quando os últimos convidados começaram a ir embora e a desmontagem teve início, ficou uma sensação difícil de medir em números, mas fácil de perceber no ambiente: a de que o C7 não terminou naquele domingo. Ele apenas começou.

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