Como uma hospedagem apresentou os Campos de Cima da Serra pelo vinho
Por Tati Feldens · 29 de junho de 2026
Uma escolha da Pousada do Engenho valoriza o território e seus produtores
Quem costuma viajar provavelmente já encontrou chocolates artesanais sobre a cama, geleias produzidas na região, tábuas de queijos locais ou um bilhete escrito à mão dando as boas-vindas. Eu também. Mas ainda não tinha encontrado uma hospedagem que escolhesse apresentar o território através do vinho.
Foi isso que encontrei na Pousada do Engenho, em São Francisco de Paula. Sobre a estante da cabana havia um pequeno texto com o título Um brinde aos Campos de Cima da Serra. Em vez de indicar passeios e atrações turísticas, ele explicava por que aquela região, a quase 900 metros de altitude, reúne condições tão especiais para a produção de vinhos.
Falava do frio, das maçãs, do queijo serrano e do pinhão como parte da identidade local. No fim, um convite: **"Privilegie a produção local."**
Ao lado do texto estavam duas garrafas. Um Aracuri Blend Branco, elaborado com Chardonnay e Sauvignon Blanc, descansava gelado no frigobar. O outro era um SOZO Terroir Pinot Noir 2022, produzido em Vacaria. Dois rótulos elaborados a poucos quilômetros dali.
Achei aquilo interessante. Muito interessante. Não porque havia vinho no quarto. Hotéis oferecem vinhos há décadas. O que me chamou atenção foi a escolha.
A pousada poderia ter abastecido o frigobar com qualquer rótulo. Em vez disso, escolheu dois produtores da região e explicou por que eles estavam ali.
Naquela tarde fria da serra, abri o Aracuri enquanto aproveitava a banheira e colocava a leitura em dia. O plano era deixar o Pinot Noir para a noite seguinte.

Não consegui.
Depois de ler a história da família Sozo e entender por que aquele vinho fazia parte da experiência da pousada, a curiosidade falou mais alto. O jantar daquela noite acabou acompanhado pelo Pinot Noir. Uma delícia, diga-se de passagem.

Eu já conhecia os Campos de Cima da Serra. O meu cachorro Brut inclusive é de lá. Nasceu em São Francisco de Paula. O frio continuava o mesmo. As araucárias e os xaxins, também. O que era novo estava dentro da cabana. Ainda não tinha visto uma hospedagem usar dois vinhos para apresentar um território e, ao mesmo tempo, apresentar as pessoas que ajudam a construí-lo.
Antes de sair, reli o pequeno texto sobre a estante. A última frase dizia apenas: "Privilegie a produção local." Na chegada, era uma frase. Na saída, era uma ideia.