Experiência impulsiona o valor das vinícolas brasileiras
Por Cave Winex · 07 de outubro de 2026
Hospitalidade, gastronomia e conhecimento fortalecem receitas do setor
Quem reserva a safra de um produtor boutique raramente associa a compra a uma experiência de turismo enológico. No entanto, os números do setor mostram uma relação cada vez mais estreita entre os dois universos. A valorização da garrafa começa antes mesmo do consumo e envolve a história do produtor, o território, a hospitalidade e a capacidade de explicar por que aquele vinho merece ser escolhido.
A UN Tourism, agência de turismo da Organização das Nações Unidas, publicou em 2025 o Global Wine Tourism Report, produzido em parceria com a Hochschule Geisenheim University, instituição alemã de ensino e pesquisa em viticultura; a Organisation Internationale de la Vigne et du Vin, entidade internacional que reúne países produtores de vinho; e a Great Wine Capitals Global Network, rede que agrupa as principais regiões vinícolas do mundo.
A pesquisa reuniu respostas de 1.310 vinícolas localizadas em 47 países. Os dados mostram que duas em cada três participantes consideram o turismo enológico lucrativo ou muito lucrativo. A atividade já representa cerca de um quarto da receita média de uma vinícola. E a visita à propriedade deixou de ser apenas uma degustação e passou a envolver conhecimento, território e vivências construídas ao redor do vinho.
O perfil dos visitantes também está mudando. A maior parte ainda pertence ao grupo entre 45 e 65 anos, mas consumidores de 25 a 44 anos ganham participação crescente. Segundo o relatório, esse público procura experiências ligadas à educação, sustentabilidade e gastronomia. A faixa etária coincide com o perfil de muitos Insiders Estratégicos da **Cave Winex** interessados em Trade Wine. São consumidores que desejam compreender a lógica por trás de uma recomendação, em vez de simplesmente receber uma nota ou uma classificação já pronta.
**Valor agregado**
Reservar uma safra ainda em produção significa também reservar um momento futuro de hospitalidade, um jantar ou uma comemoração que ainda vai acontecer. Nesse momento, uma recomendação de harmonização fundamentada em estrutura, em vez de frase pronta, muda o valor percebido de tudo o que cerca aquela garrafa, do momento da reserva até ela finalmente ser servida.
Clubes de assinatura genéricos costumam entregar exatamente o oposto, uma ficha de harmonização padronizada, aplicada a qualquer rótulo da mesma cor, sem qualquer relação com o perfil sensorial a safra específica. A "curadoria de mentira" barateia a experiência inteira, porque trata o momento de servir como formalidade em vez de tratá-lo como parte do que está sendo vendido. Para quem paga preço de produtor por uma safra rara, o detalhe pesa tanto quanto o histórico do vinhedo ou a nota de safra anterior.
O Protocolo de Validação Cave inclui o raciocínio como parte do que valida cada rótulo antes de entrar no marketplace. O protocolo avalia a origem da uva e também o comportamento do vinho à mesa, servido ao lado de que tipo de prato e em que ocasião. Antes de reservar a próxima safra, vale perguntar quem fez o vinho e que momento ele foi desenhado para perpetuar, com a mesma atenção que se dedica ao produtor e à casta.
**Fonte(s):** UN Tourism, Global Wine Tourism Report 2025 (untourism.int), produzido em parceria com Hochschule Geisenheim University, Organisation Internationale de la Vigne et du Vin (OIV) e Great Wine Capitals Global Network.