Monte Vinhos de Autor: quando o vinhedo vira assinatura
Por Cave Winex · 19 de junho de 2026
Paulo Backes é agrônomo, paisagista e fotógrafo ambiental.
Três profissões que parecem distintas até o momento em que você entende o que ele faz com o vinho, e por que as três são, na verdade, a mesma forma de ver o território.
Em 2017, Paulo fundou a Monte Vinhos de Autor, numa sala histórica no Centro de Porto Alegre e desde 2020 conta com a parceria do publicitário Mário Saavedra. Não tinha vinhedo próprio. Tinha algo mais específico: o olhar de quem passou décadas percorrendo o sul do Brasil em busca de paisagens para fotografar e, no caminho, entendendo o solo das regiões que visitava. Esse olhar, aplicado ao vinho, tornou-se uma proposta editorial precisa: mapear os terroirs do Sul do Brasil produzindo vinhos que expressem a essência de cada paisagem vitícola.
**O que significa mapear um terroir**
A Monte não escolhe uvas. Escolhe lugares.
Paulo seleciona viticultores em micro terroirs específicos: Serra Gaúcha, Serra Catarinense, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra e Campanha, com base num critério que vai além da qualidade do fruto: a singularidade do que aquele pedaço de terra produz que nenhum outro pedaço produz igual. Cada vinho da Monte é um argumento sobre um lugar. E o produtor que o faz é, antes de ser enólogo, um cartógrafo.
**800 garrafas e o que esse número revela**
A Monte produz cerca de 800 garrafas por ano. É um número pequeno o suficiente para parecer simbólico mas é exatamente nesse tamanho que a proposta do projeto se sustenta.
Com 800 garrafas, Paulo consegue acompanhar pessoalmente cada etapa do processo. Consegue visitar os viticultores, tomar decisões safra a safra sobre o que plantar, quando colher, como vinificar. Consegue produzir com fermentação selvagem, baixa intervenção, valorizando a expressão de cada casta e de cada terroir, sem que a escala force concessões que desfigurariam o projeto.
O resultado são vinhos que existem uma vez, porque a safra que os originou existiu uma vez. O Cabernet Franc da Campanha de 2023 não é o mesmo que o de 2024. Não deveria ser. E Paulo não tenta fazer com que sejam.
**Agrônomo, paisagista, fotógrafo e o que isso tem a ver com vinho**
A formação de Paulo Backes não é enológica. É territorial. É a formação de quem aprendeu a ler uma paisagem antes de aprender a vinificá-la, a perceber o que um solo comunica, o que uma topografia implica, o que uma região carrega de história antes mesmo de qualquer vinhedo ter sido plantado ali.
Essa leitura prévia é o que torna o projeto da Monte diferente de uma vinícola sem vinhedo que compra uva disponível. A seleção dos terroirs não é logística. É curadoria. O mesmo olhar que escolhia uma paisagem para fotografar escolhe agora o vinhedo que vai dar origem a cada rótulo.
Cada garrafa da Monte carrega uma assinatura, não só do produtor que a fez, mas do lugar que a originou.
**O que um projeto assim representa para o mercado brasileiro**
A Monte Vinhos de Autor é parte de um movimento mais amplo que está acontecendo nas cidades do sul do Brasil: vinícolas urbanas, produtores sem terra própria, projetos que separam vinificação de viticultura e constroem identidade sobre a curadoria de origem, não sobre a propriedade do solo.
Esse modelo pressupõe algo que o mercado convencional raramente oferece: transparência total sobre de onde vem cada uva, qual viticultor a cultivou, qual terroir específico ela expressa. Sem essa cadeia de informação verificável, o modelo não tem fundamento. Com ela, cada garrafa se torna um mapa.
Para conhecer a Monte Vinhos de Autor acesse a Cave Winex:
[ cavewinex.ai/monte-vinhos-de-autor](https://cavewinex.ai/vinicolas/monte-vinhos-de-autor)