Naturebas: onde o vinho encontra as pessoas
Por Juliano Salles · 26 de junho de 2026
Alguns dos encontros mais importantes acontecem apenas uma vez por ano.
Existem pessoas que eu só encontro uma vez por ano.
E, curiosamente, isso nunca parece pouco.
Durante meses, seguimos nossas vidas. Cada um em sua cidade, seu país, sua rotina. Alguns cuidando de vinhedos. Outros servindo vinhos em restaurantes. Outros viajando, vendendo, comunicando, estudando, produzindo. Todos bebendo.
A vida acontece.
Os dias passam.
Mas, em algum momento do ano, todos sabemos que vamos nos reencontrar.
E quando isso acontece, não parece que passou um ano inteiro.
Parece que a conversa ficou em pausa por alguns instantes.
Talvez essa seja uma das coisas mais bonitas que o vinho proporciona.
Ele cria conexões improváveis.
Aproxima pessoas que talvez nunca se encontrassem em circunstâncias diferentes.
Constrói amizades entre pessoas de culturas, idiomas e histórias completamente distintas.
E, às vezes, transforma um simples encontro profissional em algo muito maior.
Ao longo dos anos, a Naturebas passou a representar exatamente isso para mim.
Não me sai da cabeça que quando a Lis Cereja decidiu montar a primeira edição, inconscientemente – ou na mais pura intenção – ela queria justamente isso: não só promover os produtores e o vinho natural, mas um marco anual para um bando de gente legal se conectasse.
Mais do que uma feira, ela se tornou um marco no calendário. Um daqueles momentos que ajudam a medir o tempo não pelos meses que passaram, mas pelas histórias que foram construídas entre uma edição e outra.
E pensar que minha primeira visita só aconteceu porque duas pessoas que amo muito insistiram – mas nem tanto - que eu precisava viver aquilo.
Foi graças ao Igor e à Jamile que conheci os vinhos naturais de forma mais profunda e que cheguei à Naturebas pela primeira vez.
Eles abriram uma porta que eu nem imaginava que existia.
E, desde então, muita coisa aconteceu.
Amizades surgiram.
Parcerias nasceram.
Produtores viraram amigos.
Projetos ganharam forma.
Claro que existem os vinhos. Muitos vinhos.
Ótimos vinhos!
As descobertas.
As novidades.
Novos produtores e novos produtos.
As degustações que surpreendem.
Mas, se eu for realmente honesto, o que me faz contar os dias para a feira são também as garrafas, mas não somente elas.
São as pessoas.

Os amigos que moram longe.
Os produtores que atravessam quilômetros e oceanos para estar ali.
Os parceiros de trabalho que se tornaram companheiros de jornada — e aqui deixo um beijo especial para Cadu, Fede e Léo.
As novas conexões que surgem sem planejamento, entre uma conversa e outra, entre uma taça e outra. Por tudo isso, é extraordinário.
E este ano ainda teremos a sorte de contar com o querido Wesley Borges como sommelier-guia da feira, ajudando tanta gente a navegar por esse universo fascinante que é o vinho natural.
Existe algo de muito especial em caminhar pelos corredores e encontrar rostos conhecidos.
Receber uma cutucada no ombro e um abraço inesperado.
Ouvir histórias de mais uma safra.
Descobrir novos projetos.
Compartilhar ideias.
Dar risada de lembranças que só fazem sentido para quem esteve presente no Enterro dos Fígados do ano anterior.
Em um mundo que parece exigir velocidade o tempo todo, a Naturebas me lembra da importância da presença.
De estar junto.
De fazer um brinde olhando dentro dos olhos.
De ouvir com atenção.
De celebrar os caminhos que se cruzam graças a uma paixão em comum.
Talvez seja por isso que a feira tenha se tornado muito mais do que um evento sobre vinhos naturais. Existe algo de dionisíaco ali.
Algo que mistura celebração, descoberta, amizade, troca e pertencimento.
Ela é um ponto de encontro.
Um lugar onde relações são fortalecidas, amizades são renovadas, saudades devidamente matadas e onde novas histórias começam a ser escritas.
O vinho continua sendo o motivo que nos reúne.
Mas são as pessoas que nos fazem voltar.
E, quando junho chega, percebo que a saudade não era apenas dos vinhos.
Era dos encontros.
Então, se você estiver pela Naturebas, passe no estande da Barbagianni.
Venha provar alguns vinhos, trocar uma ideia, contar suas descobertas da feira ou simplesmente me dar um abraço.
Vou ficar muito feliz em encontrar você por lá.
Nos vemos na Naturebas.