O vinho que você não estava procurando

Por Juliano Salles · 20 de agosto de 2026

O vinho que você não estava procurando

A Wine Fest é o melhor lugar para deixar um rótulo te surpreender

Há algo curioso em uma feira de vinhos.

A gente chega com uma ideia do que quer fazer.

Provar aquele produtor. Passar naquele estande. Experimentar aquele rótulo que alguém recomendou.

Encontrar alguma coisa diferente para levar para casa.

Às vezes até fazemos uma pequena programação mental.

Quase sempre ela dura pouco. Até a primeira taça.

Porque existe uma coisa que uma boa feira de vinhos faz muito bem: coloca diante da gente aquilo que não estava procurando.

Neste fim de semana, nos dias 22 e 23 de agosto, acontece o VEJA Comer & Beber Wine Fest, no JK Iguatemi, em São Paulo, reunindo 21 expositores e mais de 150 rótulos, entre produtores brasileiros e importadoras, além de uma seleção gastronômica. A curadoria do evento é assinada pelo querido Léo Reis.

![comerebeberwinefest.jpeg](https://storage.googleapis.com/winex-journal-uploads/comerebeberwinefest_1d96f600ba/comerebeberwinefest_1d96f600ba.jpeg)

Aqui vale um elogio.

O Léo fez uma seleção que reúne diferentes produtores e importadores, trazendo estilos e histórias sem transformar a feira numa coleção de nomes para fazer um checklist. É uma curadoria que convida a circular, provar e descobrir. E isso, numa feira de vinhos, faz toda a diferença.

Porque uma boa feira não precisa nos dizer do que devemos gostar.

Precisa nos deixar curiosos.

No dia a dia, temos os produtores que apreciamos, regiões conhecidas, castas de confiança, vinhos preferidos e estilos que já aprendemos a reconhecer. Tudo isso é ótimo. Conhecer nossos gostos faz parte do gostar de vinho.

Mas existe um pequeno risco quando conhecemos demais os nossos próprios caminhos e nos acomodamos neles.

Uma feira oferece a desculpa perfeita para sair um pouco da rota.

Você entra querendo provar uma coisa e acaba diante de outra.

Muitas garrafas abertas.

Experimentamos. Conversamos sobre elas.

E, de repente, aquela garrafa que não estava sequer no seu radar passa a fazer parte da sua tarde e do seu imaginário.

Não porque seja necessariamente a garrafa que você procurava.

Mas porque agora você sabe que ela existe. E isso já é bastante coisa.

Há também outra dimensão das feiras que só aparece para quem passa algum tempo ali: o público. As pessoas.

O vinho circula de mão em mão, mas as histórias circulam ainda mais.

Você reencontra alguém que não via fazia meses. Conhece um importador que não conhecia. Um produtor novo. Começa uma conversa sobre vinho e, dez minutos depois, está falando de uma viagem, de uma safra antiga ou de alguma história que não tinha absolutamente nada a ver com o que você pretendia fazer naquele estande.

É parte da graça.

Sou um cara de sorte por experimentar isso dos dois lados da mesa.

De um lado, como alguém que continua gostando de andar por uma feira sem saber exatamente o que vai encontrar. Do outro, como alguém que também vive um pouco do que acontece atrás de um estande. É assim que a Barbagianni chega ao Wine Fest.

E justamente por estar do lado de trás da mesa que eu vejo com um pouco mais amplitude como uma feira de vinhos é feita de encontros.

![barbagianni.jpeg](https://storage.googleapis.com/winex-journal-uploads/barbagianni_a27187f337/barbagianni_a27187f337.jpeg)

Tem quem chegue sabendo exatamente o que quer. Tem quem pergunte sobre um produtor que nunca provou. Tem quem escolha pelo nome. Tem quem escolha pela história. Tem quem apareça só para dar um “oi” - e, quando percebe, já está com um vinho na taça.

Me alegro muito com isso, pois algumas das melhores conversas sobre vinho começam justamente assim. Uma garrafa abre uma conversa.

Uma conversa abre uma possibilidade.

E, de vez em quando, uma possibilidade abre uma outra garrafa longe dali.

Isso é um dos motivos que me fazem gostar tanto das feiras.

Não apenas por oferecerem uma ótima oportunidade para beber coisas boas - e seria bastante desonesto fingir que isso não é uma parte importante da diversão.

Mas porque elas tiram o vinho do lugar onde às vezes o colocamos.

Da prateleira. Da adega.

Da nossa coleção de certezas.

E colocam tudo de volta em movimento.

Uma boa feira não diz o que você deve encontrar. Ela cria as condições para que alguma coisa aconteça. Pode ser uma descoberta.

Uma conversa.

Um reencontro.

Uma garrafa.

Ou simplesmente aquele momento em que você prova alguma coisa e pensa: “Olha só”. E continua andando.

Talvez nem seja preciso entender imediatamente por que aquele vinho chamou sua atenção.

Afinal, existe uma diferença entre escolher um vinho e encontrar um vinho.

E uma feira, quando funciona de verdade, oferece as duas possibilidades.

Neste fim de semana, haverá mais de 150 rótulos esperando por nós no VEJA Comer & Beber Wine Fest. Você não precisa provar todos.

Mas aproveite para andar sem tanta pressa, conversar, experimentar, prestar atenção e deixar alguma coisa te surpreender.

E, se você estiver por lá, passe no estande da Barbagianni.

Pode ser para provar uma taça, descobrir um vinho que não estava procurando ou simplesmente para dar um abraço.

De preferência, com uma taça na mão.

Porque algumas descobertas ficam ainda melhores quando vêm acompanhadas de uma boa conversa.

E a melhor parte de entrar em uma sala cheia de vinhos é não saber exatamente o que vamos encontrar.

Se soubéssemos, seria apenas uma lista.

E vinho, felizmente, ainda é muito melhor do que isso.

Leia o artigo completo no Cave Winex Journal