Quinta do Belasca: o projeto cigano que está reinventando o vinho natural brasileiro
Por Cave Winex · 25 de junho de 2026
Sem vinhedo fixo: como uvas de SC e do Alto Uruguai viram vinho autoral.
Existe um produtor no Sul do Brasil que rompe a primeira regra que qualquer pessoa assumiria como necessária para fazer vinho: ele não tem vinhedo.
A Quinta do Belasca se define como um projeto cigano, sem vinha própria, sem sede fixa, sem vinícola batizada em seu nome. Para transformar uva em vinho, o produtor usa a estrutura de vinícolas parceiras no noroeste do Rio Grande do Sul, vinificando frutas que vêm de duas regiões que raramente aparecem juntas em uma mesma garrafa: o Oeste Catarinense e o Alto Uruguai gaúcho.
O método segue os princípios do vinho natural: fermentação espontânea com levedura indígena, sem correção de açúcar ou acidez, e sulfito apenas em quantidades mínimas — e em raras ocasiões. Um dos lotes mais recentes ilustra bem essa filosofia: uvas em longo contato com a casca, em maceração estendida, deram origem a um vinho laranja de produção mínima, feito em parceria pontual com outro pequeno produtor.
O portfólio inclui pequenos lotes variados — tintos, vinhos laranja e claretes — com castas que vão de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc a variedades menos comuns nas prateleiras convencionais, como Torrontés e BRS Lorena. Cada lote conta uma história diferente sobre onde a uva nasceu e como foi tratada, sem nunca esconder que aquele vinho viajou antes de chegar à garrafa.
É um modelo que desafia a ideia de que vinho de qualidade precisa de endereço fixo, château ou tradição centenária. Precisa, sim, de uma cadeia de decisões cuidadosas: a escolha da uva certa, da vinícola parceira certa, do momento certo de colheita. O resto é estrutura compartilhada, e isso, no fim, também é uma forma de terroir.
Para conhecer os rótulos do produtor, acesse:
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