Turismo do vinho financia a preservação de cantinas

Por Cave Winex · 01 de outubro de 2026

Turismo do vinho financia a preservação de cantinas

Visitas, degustações e vendas ajudam na manutenção de construções históricas

Preservar uma construção histórica exige gastos permanentes, que vão muito além dos custos diretamente relacionados à produção do vinho. Manter um prédio de pedra de cem anos custa dinheiro o ano inteiro. Telhados, umidade de porões, estruturas de madeira e instalações elétricas exigem acompanhamento e reparos independentemente do resultado de cada safra. A decisão de preservar uma cantina antiga também envolve uma despesa recorrente que não costuma aparecer na ficha técnica de nenhum rótulo.

Em cenários como o descrito, o turismo do vinho surge como uma das formas mais documentadas de gerar receita associada à preservação e ao uso dos espaços. O “Relatório Global de Turismo do Vinho 2025”, publicado em 2025 pela UN Tourism e conduzido pela Universidade de Geisenheim, na Alemanha, ouviu 1.310 vinícolas em 47 países. Dois terços das participantes classificaram o turismo do vinho como lucrativo ou muito lucrativo. Metade planeja realizar novos investimentos na atividade, enquanto um quarto das vinícolas que ainda não atuam no segmento já decidiu começar.

O mesmo levantamento mostra de onde vem a receita e qual é o papel das instalações históricas na experiência. A degustação, a visita à cantina e a visita ao vinhedo estão entre as principais ofertas das vinícolas entrevistadas. Parte da experiência pela qual o visitante paga está associada ao acesso aos espaços de produção e à possibilidade de conhecer as etapas realizadas neles. A construção deixa de representar apenas um custo de conservação e passa também a integrar uma atividade capaz de gerar receita para sua própria manutenção.

**Proteção legal**

O tombamento é um instrumento legal que reconhece o valor histórico de uma construção e estabelece regras para sua preservação, mas não garante, por si só, os recursos necessários para mantê-la. No Rio Grande do Sul, a lei estadual 13.177/2009 declarou patrimônio histórico e cultural do estado o roteiro Caminhos de Pedra, em Bento Gonçalves e Farroupilha. O processo de tombamento provisório aberto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) não avançou devido à necessidade de estudos mais aprofundados. A valorização formal permaneceu apenas parcial, e a conservação dos imóveis continua vinculada às condições de uso e aos recursos disponíveis para sua manutenção.

Em Santa Catarina, o instrumento foi mais longe. Em 2011, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) aprovou o tombamento de 61 bens relacionados às imigrações alemã, italiana, polonesa e ucraniana no estado. Os imóveis foram distribuídos em oito categorias, entre elas arquitetura de pequenas propriedades rurais e núcleos rurais. O tombamento estabelece obrigações de preservação e restringe alterações nos bens protegidos, mas não apresenta uma fonte de recursos para financiar obras de conservação.

**Receita própria**

Quando uma construção histórica continua sendo usada para produzir vinho, a própria atividade pode ajudar a financiar sua conservação. Uma construção histórica sem uso depende de recursos públicos, doações ou de outras fontes externas para financiar sua conservação. Quando o espaço permanece vinculado à vinificação e aberto à visitação, podem surgir receitas com ingressos, degustações e vendas diretas, além de uma razão econômica para que o proprietário mantenha o imóvel em boas condições. A Cave Historique des Hospices, em Estrasburgo (França), foi construída entre 1393 e 1395 e está classificada como monumento histórico desde 1929. Até hoje ela é associada à produção e à conservação de vinhos da Alsácia.

Informações sobre a origem e as condições de elaboração de um vinho podem ampliar a compreensão sobre sua produção. O Protocolo de Validação Cave, sistema próprio da **Cave Winex** que cruza consultoria humana com dados de terroir e de processo produtivo, considera o contexto de produção de cada produtor validado, incluindo onde e como o vinho é elaborado. Uma cantina histórica ainda em funcionamento oferece informações verificáveis sobre a produção, como data de construção, localização e características arquitetônicas, elementos que raramente aparecem nas fichas técnicas convencionais dos rótulos brasileiros.

**Fonte(s):** UN Tourism e Universidade de Geisenheim, Relatório Global de Turismo do Vinho 2025, publicado em 7 de outubro de 2025; Lei estadual 13.177, de 10 de junho de 2009, Rio Grande do Sul; IPHAN, tombamento de 61 bens do projeto Roteiros Nacionais de Imigração em Santa Catarina, 3 de maio de 2011; Cave Historique des Hospices de Strasbourg, monumento histórico classificado desde 1929.

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