Vinho em palavras: Ode ao Vinho de Neruda

Por Cave Winex · 15 de março de 2026

Vinho em palavras: Ode ao Vinho de Neruda

Amante das boas coisas, o poeta chileno traduziu (quase) o líquido em texto

O escritor e poeta chileno Pablo Neruda, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1971, era um apaixonado por vinhos.

Entre os inúmeros textos, livros, contos, poemas, piadas, aforismos sobre vinho, a “Ode ao Vinho” de Neruda se impõe como o mais popular dos escritos inspirados sobre a bebida. E também um dos mais citados.

O poeta, aqui, atribui ao vinho características humanas e divinas, fazendo com que a bebida eleve o bebedor a uma experiência transcendental. Uma celebração da terra, do amor e da vida.

Trata-se de um verdadeiro brinde à condição humana e, claro, ao vinho.

Então, é um poema que todo entusiasta do vinho deve conhecer:

_**Ode ao Vinho – Pablo Neruda**_

Vinho cor do dia

vinho cor da noite

vinho com pés púrpura

o sangue de topázio

vinho,

estrelado filho

da terra

vinho, liso

como uma espada de ouro,

suave

como um desordenado veludo

vinho encaracolado

e suspenso,

amoroso, marinho

nunca coubeste em um copo,

em um canto, em um homem,

coral, gregário és,

e quando menos mútuo.

O vinho

move a primavera

cresce como uma planta de alegria

caem muros,

penhascos,

fecham-se os abismos,

nasce o canto.

Ó tu, jarra de vinho, no deserto

com a saborosa que amo,

disse o velho poeta.

Que o cântaro do vinho

ao peso do amor some seu beijo.

Amo sobre uma mesa,

quando se fala,

à luz de uma garrafa

de inteligente vinho.

Que o bebam,

que recordem em cada

gota de ouro

ou copo de topázio

ou colher de púrpura

que trabalhou o outono

até encher de vinho as vasilhas

e aprenda o homem obscuro,

no cerimonial de seu negócio,

a recordar a terra e seus deveres,

a propagar o cântico do fruto.

_versão ao português de Cleto de Assis_

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