Vinícola Pianegonda: quando a herança italiana encontra o terroir gaúcho

Por Cave Winex · 03 de julho de 2026

Vinícola Pianegonda: quando a herança italiana encontra o terroir gaúcho

Sommelier e vinhateiro — micro-lotes entre Viamão e Pinto Bandeira.

Tem sobrenome que já entrega a história antes de qualquer rótulo ser aberto. Pianegonda é um desses, e o vinhateiro que leva esse nome, Gabriel Pianegonda, transformou a herança italiana da família em uma microvinícola em Viamão, no Rio Grande do Sul.

Gabriel é vinhateiro, sommelier e especialista em gestão de negócios e marketing do vinho, uma combinação que aparece tanto na condução técnica da cantina quanto na forma como cada rótulo da casa é apresentado a quem visita. A propriedade fica em Águas Claras, na Lagoa Branca, em Viamão, com manejo orgânico e biodinâmico certificado, produzindo vinhos a partir de uvas próprias e de parceiros em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, sempre sob princípios de mínima intervenção.

**A herança italiana na garrafa**

Entre os rótulos da casa há dois que ilustram bem a diversidade do portfólio. O Pét-Nat, espumante de método ancestral, técnica que dispensa a segunda fermentação em tanque e deixa o próprio vinho gerar suas bolhas dentro da garrafa, é feito 100% com Cabernet Franc de Vila Flores, no nordeste gaúcho, região conhecida pela força dos tintos de altitude. Já o Trebbiano, casta branca de origem italiana, associada à Toscana e aos Abruzos, nasce em Pinto Bandeira, o território dos espumantes brasileiros de maior prestígio, e chega à garrafa como vinho branco tranquilo natural, vinificado com a mesma filosofia de mínima intervenção que guia toda a produção.

Ver castas como o Trebbiano e o Cabernet Franc expressarem identidade própria em terroirs gaúchos distintos é, de certa forma, uma versão em miniatura de toda a imigração italiana que moldou a vitivinicultura do Rio Grande do Sul: a uva atravessa o oceano, encontra um solo e um clima diferentes, e produz algo que não é cópia da origem nem invenção sem raiz, é os dois ao mesmo tempo. Cada micro-lote da Pianegonda carrega essa dupla identidade: a casta que veio da Itália e o lugar específico do Rio Grande do Sul que a recebeu.

O portfólio também inclui um Chardonnay biodinâmico de Viamão, um Pinot Noir de Encruzilhada do Sul e um corte de Alvarinho, Nebbiolo e Tannat — a diversidade de castas e origens em micro-lotes que raramente ultrapassam algumas centenas de garrafas cada, tratando cada vinificação como um experimento de terroir.

**Vinho contado de perto**

Nas visitas que a vinícola recebe, o roteiro passa pelo vinhedo, com explicação sobre o manejo regenerativo e biodinâmico, pela cantina, onde Gabriel apresenta os métodos de produção de mínima intervenção e termina numa degustação dos rótulos da safra, cada um apresentado com a história do terroir de onde veio e das decisões que foram tomadas durante a vinificação. É um formato que trata o visitante como parceiro de uma descoberta, não como consumidor de um produto.

É um lembrete de que herança não é só sobrenome ou casta de origem. É também a decisão de contar, garrafa por garrafa, de onde veio cada coisa e deixar quem bebe fazer parte dessa história.

Para conhecer a Vinícola Pianegonda acesse:

[cavewinex.ai/vinicolas/vinicola-pianegonda](https://cavewinex.ai/vinicolas/vinicola-pianegonda-ltda)

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